Em meu ultimo texto à meses atrás, falei sobre a necessidade de ser crítico, de ter critério sobre aquilo que consumimos, ouvimos, vemos e jogamos. Hoje vou falar um pouco sobre as duas maneiras de “criticar” algo.
Após assistir uma palestra com o Ricardo Farah e Orlando Ortiz, jornalistas especializados em games, fiquei intrigado com a menção de uma tal “cartilha” que eles utilizam em seu editorial e que todo jornalista, seja ele novato ou veterano tem que ler para poder analisar um game, ou qualquer outro produto de mídia. Minha curiosidade me levou a pesquisar alguns manuais de critérios e cheguei a conclusão de que existem duas principais vertentes para a crítica, em especial, a de games.
Vertente A: Todo trabalho tem seu valor
Essa vertente é a mais parecida com a adotada pelos jornalistas mencionados neste texto; ela parte do princípio, de que não importa o quão ruim seja um game, filme, ou até um evento como um show do rock ou uma feira, pessoas trabalharam duro para aquilo acontecer e todo trabalho merece ser valorizado. Pessoas podem cometer erros, ser mal compreendidas, ou simplesmente não conseguir superar as expectativas naquele momento e como veículo, seja ele blog, revista, jornal ou canal de TV, antes de mais nada o seu papel é comunicar, fazer com que a informação chegue ao público sem denegrir a imagem daquela pessoa ou empresa.
Vertente B: Todo trabalho precisa evoluir.
Quem conhece esta imagem ao lado, já sabe do que estou falando. O Zero Punctuation, para quem não conhece, é um programa que vai ao ar toda quarta feira no portal The Escapist, onde o jornalista Inglês Ben “Yatzee” Croshaw analisa, de forma ácida e sarcástica um game. Seus vídeos são sempre hilários e sempre demonstram o que o jogo tem de pior.
Pode parecer apenas uma forma de humor, mas Yatzee baseia o seu argumento em uma outra vertente de trabalho, a de que a indústria tem que evoluir, e não se render ao comodismo e a repetição. Enquanto o pessoal da vertente “A” pensa no trabalho de 2 anos feito pela equipe de 200 pessoas em um game como um esforço a ser valorizado, o que o Yatzee afirma é que essas mesmas 200 pessoas estão seguindo ordens de grandes empresários que de nada entendem do produto ali produzido (ou seja, não jogam videogames) e que tudo o que querem é ganhar rios de dinheiro as custas do trabalhos deles e sugar todo o dinheiro dos consumidores (no caso; nós) que são tratados como ovelhas facilmente influenciáveis por publicidade.
A média.
Um modo de escrever não é melhor que o outro. E mais importante do que tudo; a decisão final de consumidor é sua! Se você gosta daquele jogo que levou nota “3” na Gamespot, ou daquele sétimo capítulo daquela famigerada série que não muda nunca, ou daquele jogo feito por 5 programadores Ucranianos sobre uma chinchila rosa mutante que resolve puzzles com ajuda das leis da física, tudo bem.
Lembre-se que crítica é alguém que lhe mostra a porta, mas é sempre você quem deve atravessá-la.
Apenas tenha em mente que você também está fazendo a sua parte para ajudar a indústria a tomar um rumo em sua evolução.
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Postado por Estolano | 30 nov 2010 | 2 Comentários
Tags:Coluna, Crítica, Truque Mental Jedi
Tweets that mention As duas vertentes da crítica. | Café com Games -- Topsy.com disse:
[...] This post was mentioned on Twitter by Heriberto Estolano, Café com Games. Café com Games said: Truque Mental Jedi: As duas vertentes da crítica http://bit.ly/gEOQAN [...]
eduardoV disse:
Lindo…