Em minha tenra adolescência eu ganhei a péssima fama por criticar demais as coisas, em especial, as que não gostava. É muito comum nos acharmos donos da razão e querer impor nossas opiniões de forma absoluta, ou de certa forma, achar que você tem um gosto mais apurado que o das outras pessoas. Até que cheguei ao ponto de criticar também aquilo que eu gostava. Achei que fosse sadio também refletir sobre os problemas daquilo que gosto, e talvez fazer até um certo humor com isso, já que os conheço tão bem.

Várias vezes em uma conversa de bar, eu e o Vinna das montanhas nos encontramos na situação de falar muitas coisas sobre alguém e ouvir: “eu não gostaria de ser amigo de vocês, falam mal de tudo.”. Ou conversando com uma pessoa comum sobre cinema e surpreendê-la com tantas críticas técnicas sobre os filmes que ela viu apenas por diversão. Não que seja por maldade ou arrogância, mas convenhamos que é difícil criticar algo sem ofender alguém.

Comecei a refletir se cabia a mim criticar tanto à indústria do entretenimento; em especial os games. “convenhamos, por mais que seja algo que eu adore, não é algo essencial às nossas vidas” pensava comigo mesmo enquanto achava que deveria pegar mais leve com as críticas. Até que em uma discussão sobre o Podcast  #15 sobre franquias com dois dos seus participantes, eles me lembraram da necessidade de ser crítico; nenhum de nós é um crítico profissional, e a partir do momento em que você está fazendo uma recomendação de um jogo para um amigo, você está divulgando uma informação e ajudando a formar uma opinião, logo no papel de formador de opinião, você precisa ser crítico.

Simples seria o mundo em que se o jogo fosse bom ele venderia bem, se fosse ruim venderia mal. Há muitas jogos ruins sem a menor inovação que aceitamos goela adentro graças ao marketing e a gráficos de ultima geração, que por mais que nos impressionem, logo serão esquecidos por não trazer nenhuma substancia ou valor simbólico em seu conteúdo. E há muitos jogos excelentes que venderam pouquíssimas cópias por que os donos das grandes distribuidoras não acreditaram na revolução que suas ideias trariam, nem no seu potencial artístico, deixando a inovação cada vez mais ausente nesta indústria, diminuindo o padrão de qualidade do que consumimos e nos tornando cada vez mais apáticos e tolerantes a jogos ruins.

Da mesma forma que tivemos um filme brilhante como “Inception” de Christopher Nolan, com uma proposta diferenciada e inteligente conquistando o gosto das grandes massas, eu gostaria muito que “Enslaved” da equipe Ninja Theory, que traz uma proposta igualmente bela desbanque os já saturados Halos e Call of Duty’s da vida que são mais marketing do que jogo. E que todos nós sejamos um pouco mais críticos com essa indústria do entretenimento. Críticos não no sentido de falar mal, mas de refletir e ser exigente com o entretenimento que consumimos.

P.S. Não quer dizer que eu não goste de Halo ou Call of Duty, mas cá entre nós; você quer passar o resto dos seus dias jogando os mesmos jogos de tiro em primeira pessoa, atirando nos mesmos aliens nazistas de sempre?



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Postado por Estolano | 7 out 2010 | 17 Comentários
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17 Comentários »

  1. Rafael (rvyellow) disse:

    FALO POUCO MAS FALO BUNITO!

    é isso ai heriberto, nós games temos que parar de ser bonzinho com as produtoras e elogiar jogos que realmente trazem algo de diferente para o gamer.
    ultimamente como ja comentei em outros podcasts, a industria dos games não esta inovando, é simplesmente copia um do outro,
    um jogo que esta tentando mudar é o PRO EVOLUTION SOCCER (WINNING ELEVEN para os mais fâs), nessas tentativas de mudança em 2009 e 2010 o jogo praticamente não mudou, so na questão grafica que ficou melhor, tipo “um grafico melhor os fãs vao parar de xiar”,
    so que o tiro saiu pela culatra, a maioria dos fãs foi experimentar o fifa e não querem mais mudar.
    só em 2011 pra quem ja jogou o demo do PES, o jogo melhorou em muitos aspectos, vamos ver se essas mudanças conseguem de novo a atenção dos games.

    Comentário de Rafael (rvyellow) em 07/10/2010 as 10:01
  2. Ser crítico ajuda o mundo a ser melhor e a criar produtos cada vez melhores, formar opiniões cada vez mais concisas, ajudar a olhar um produto através de vários olhos, e principalmente, ajuda a gravar podcasts.

    Comentário de Vinicius (vinna das montanhas) em 07/10/2010 as 10:06
  3. Felipe Nogueira disse:

    Eu numca fui muito crítico na minha vida, mas era porque realmente eu gosto de muitas coisas, todos os assuntos me divertem, me entretem, me sinto apreendendo coisas novas.
    Muito bom, agora serei mais crítico com certas coisas, incluindo os jogos.

    Comentário de Felipe Nogueira em 07/10/2010 as 14:39
  4. Rodrigo Oliveira disse:

    É exatamente como foi dito pelo Heriberto e confirmado no post do Vinicius, ser crítico é um atributo que torna o mundo um lugar melhor. Só com a crítica e novas valorações sobre um assunto é que podemos descobrir seus pontos positivos e negativos tornando a possibilidade de melhorar a realidade muito mais efetiva.

    OBS: Conheci o site a uns 3 dias, muito bom. Adorei o tema retro do fallout, os podcasts muito engraçados e informativos, enfim, parabéns e vida longa ao café com games.

    Comentário de Rodrigo Oliveira em 07/10/2010 as 20:56
  5. Paulo (phyxsyus) disse:

    É complicado esse tema de ser crítico, aliás, com a informação de hoje é muito fácil tornar-se crítico dos mais variados temas, a indústria do entretenimento é cada vez mais forte, no mercado temos cinema, música, jogos e tudo o que deriva disso, filmes, seriados, shows, artistas etc.
    Como estudante de direito, cada dia a mais que passo na faculdade (que acaba dia 10/12 do ano corrente) vejo que há uma total inversão de valores do quesito ‘crítica’.
    Nos assuntos realmente importantes não somos críticos, pelo menos a grande parcela da população, fiquei surpreso ao ver nas urnas que a Dilma não levou no 1º turno, há uma chama de esperança ainda, porém do outro lado da corda tem o Serra, tão pior quanto mas não há críticas a nenhum dos lados, todos falam mal de ambos, mas acabarão votando em algum, antecipo e afirmo que cravarei meu voto no branco.
    Foi a pior campanha eleitoral que eu já vi, e olha que só tenho 24 anos, fala sério, ir pra um debate em rede nacional sem nenhum projeto de governo!? Ir pra discutir construção de creche!? Enquanto isso o Brasil paga por mês o equivalente a 15 bilhões de reais SÓ em juros e todos nós pagamos uma parcela dessa conta.
    Em questão de segurança pública, não vejo nada ser feito, a criminologia mostra que 90% dos crimes violentos estão ligados ao tráfico de entorpecentes, aliás são os crimes que estão no topo da cadeia: tráfico de entorpecentes, tráfico de mulheres, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Enquanto isso querem me empurrar que o problema de usuário de drogas, que está na base da pirâmide, é questão de saúde pública e não de segurança pública, o usuário é o financiador dessa extrema guerra civil que o Brasil vive hoje. No entanto não vejo críticos sobre o assunto, pior não vejo nenhuma mobilização sobre o tema, hoje tudo que o indivíduo quer é um pouquinho de segurança, pelo menos dentro da sua própria casa, tendo isso (o que muitas vezes não é conquistado) a pessoa se da por satisfeita.
    Pior as grandes corporações sabem que, entretidos, ninguém irá reclamar de nada, há muita coisa pra se distrair e que na verdade nos desviam do essencial e correto.
    Já dizia meu conterrâneo Nereu Ramos: ‘enquanto houver pão e circo a massa está controlada’. Remete-se a mesma política adotada pelos romanos onde enquanto havia lutas de gladiadores diariamente no colossal coliseu eram distribuídos entre a população pão e trigo. Essa política social é a adotada no Brasil hoje, temos o campeonato brasileiro e de quatro em quatro anos uma copa do mundo pra divertir a grande massa, além das novelas pras mulheres e uma bolsa família pra encher a barriga.
    Enquanto isso não vejo ninguém falar nada do caso Erenice Guerra, ministra da Casa civil, o cargo de ministro mais importante desse país, o qual administra todas as funções do presidente, se incomodar pra que se há entretenimento? O que vai acontecer todo mundo sabe, a Polícia Federal finge que investiga, e quem está no poder continuará no poder, aliás quer conhecer uma pessoa? Dê poderes à ela.
    Fato é que o Brasil encaminha-se pra um estado de anomia (falta de leis) e vai chegar um ponto que essa anomia vai ser tamanha que pra entrar nos eixos vai ser necessário uma altroz revolução, acima de tudo social e com uma extrema mudança de valoras. Pode ser em 1, 5, 10, 100, 300 anos, fato é que virá.
    Não digo que não podemos nos entreter, porém deve ser feito com temperança sem perder o foco do que realmente é essencial, não podemos ser meros passageiros dessa nave Terra, temos que ser tripulantes.
    A grande questão que reside é: o que você faz além de criticar? Aristóteles já dizia em 350 a.C. que um cidadão é aquele que é membro de um Estado e participa politicamente para o seu eterno aperfeiçoamento.
    No conceito atual, ser cidadão é ir na frente da urna de 2 em 2 anos, no 1º domingo de outubro, excepcionalmente também no último e eleger os supostos governantes, representantes do povo assim definidos no parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal da República Federativa do Brasil promulgada em 05/10/1988: ‘todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente’.
    Enfim, embora a maioria nem saiba do tamanho das suas responsabilidades, todos nós as temos e enquanto nós deixarmos de canalizar essa vontade critica e impor nossas vontades aos nossos representantes vai continuar tudo do jeito como ta.
    Pensem na força que todos gamers poderiam ter pra baixar a carga tributária só nesse tema, vocês acham realmente que não conseguiriam fazer uma mobilização concreta em brasília e fazer essa lei do imposto justo colar? Que dependem de um deputado federal?
    A partir daí teria-se uma força monstruosa pra baixar a carga tributária de todos os produtos.
    Enfim, durmam com esse barulho hoje e uma boa caneca de café a todos. :)

    Comentário de Paulo (phyxsyus) em 07/10/2010 as 22:00
  6. Soreen disse:

    isso nao foi um coment, foi um post phyxsyus
    hauhauahuahuahuahau
    mas sobre ser critico vale lembrar que devemos ser critico construtivo e nao destrutivo
    pois criticas criam um lugar melhor se elas tiverem fundamento
    se voce critica sem razao e voce que sera o proximo criticado

    Comentário de Soreen em 08/10/2010 as 13:05
  7. Soreen disse:

    outra coisa que ficou subtendido no post
    a imagem do jogo e o beyond good and evil
    no qual e um grande jogo mas devido a uma vendagem baixa correu o risco de nao haver continuacao mesmo com uma critica exelente
    fica a dica
    Beyond Good & Evil (GC/PS2/XBOX/PC/ e anunciado recentemente que em 2011 estara a versao HD para PSN/XBLA)

    Comentário de Soreen em 08/10/2010 as 13:12
  8. Paulo (phyxsyus) disse:

    Hehehehe, pois é Soreen, tem hora que o negócio flui fácil…

    xD

    Comentário de Paulo (phyxsyus) em 08/10/2010 as 13:31
  9. Estolano disse:

    Sim, eu coloquei uma imagem do BGE por que ele é tudo o que o parágrafo abaixo quer dizer sem citar o nome do jogo.
    É um sucesso de críticas e um fracasso de vendas.
    Quanto a moderação na critica e a “não-criação” de monstros, pensei em torná-la o tema do próximo post.

    Comentário de Estolano em 08/10/2010 as 13:31
  10. Estolano disse:

    Paulo, finalmente li seu comentário colossal e tenho que dizer que ele lembra uma das primeiras coisas que postei aqui na coluna, e acabei removendo por medo de estar sendo muito crítico:
    Quando saiu a coletiva do “Jogo Justo”, vi vários blogs divulgando e pessoas nos comentários falando que iriam votar no Candidato a Deputado Federal presente na coletiva que prometia levar o projeto ao senado.

    O que pensei: um bando de muleques que acabaram de tirar o título de eleitor que estavam se cagando pra política e agora resolveram votar no “político dos games”, muito provavelmente vão votar todo o resto em branco.
    Infelizmente vivemos um pão e circo, enquanto ignoramos o circo brasileiro de carnaval, futebol e novelas, estamos consumindo o circo americano de cinema e videogames.
    Também não gostei das propostas de nenhum dos dois candidatos, pra mim são apenas discursos cheios de frases bonitas que prometem resolver problemas bobos, mas que a grande população mal-informada julga serem de prioridade, e são eles é que elegem essas pessoas, a massa de manobra.
    Vamos tentar sempre refletir aqui no nosso Café, já que o nome é inspirado no programa Café com Filosofia, sobre essas questões também.

    Comentário de Estolano em 08/10/2010 as 13:43
  11. MaTT Peres disse:

    Não existe nada tão bom do que uma evolução das idéias de cada ser-humano, isto mostra um aperfeiçoamento, um amadurecimento. Concordo com o que o pessoal disse, até porque criticar de forma sadia é uma forma de expressão que nada mais é do um protesto, uma demonstração de desgosto por alguma coisa e melhor: um desejo de que aquilo que criticamos não fosse daquela forma.

    Criticar é algo que está na alma do ser-humano, e eu pessoalmente tenho grande admiração por pessoas que não se conformam com tudo o que lhes é oferecido, mas que possuem uma opinião formada. É lamentavel muitas das vezes ver que pessoas que na verdade deviam ser vozes apenas se escondem por detrás de uma máscara colocada a força pela sociedade capitalista.

    É preciso sim que tenhamos uma opinião formada, claro que sempre utilizando da palavra mais importante em qualquer situação: o equilibrio. Com bom senso e sabedoria, criticas tanto positivas quanto negativas são um canal de acesso para o despertar de novas idéias, o que é muito bom. Criticar de forma equilibrada não se encaixa na ignorancia, mas na contribuição para alguma comunidade.

    Bom, se eu for comentar tudo a respeito entrariamos num debate filosófico aqui (o que seria bem bacana xD). Mas fico com estas palavras. Criticar de forma agressiva é uma forma nada educada de se tirar uma certa ira para fora, mas criticar de forma sádia é uma arte, é uma necessidade e acima de tudo uma das qualidades que nos fazem ser humanos racionais. Abraços pra toda a galera, espero ter ajudado em alguma coisa!

    Comentário de MaTT Peres em 08/10/2010 as 14:25
  12. MaTT Peres disse:

    Mudando de assunto: Se formos aqui comentar quais os jogos que merecem sua fama e quais não merecem, este post aqui ficaria com infinitos comentários. Há muitas franquias saturadas que não merecem todo esse “bla bla bla” que a midia e alguns jogadores equivocados tem sobre eles. Fica aí o comentário… Abraços ao Paulo, o Vinna, o Soreen, o Heriba e todo o pessoal daqui do post. Todos ofereceram comentários muito interessantes! T+

    Comentário de MaTT Peres em 08/10/2010 as 14:30
  13. Estolano disse:

    Caramba gente, esses ouvintes do Café com Games estão de parabéns.
    Vamos discutir mais sim e vou escrever mais na coluna (que estava meio apagada).
    E recomendo a todos os videos do Extra Credits no Escapist, onde tem sempre discussões legais, críticas e ao mesmo tempo promovem soluções para todos
    http://www.escapistmagazine.com/videos/view/extra-credits

    Até semana que vem.

    Comentário de Estolano em 08/10/2010 as 14:38
  14. Lucas Vaz disse:

    Também acho que nós devemos criticar a indústria sim. Muitos jogos que eu achei excelentes não venderam bem e não tiveram continuações por causa disso. Mas ainda acho que hoje é mais fácil alguns “underground” terem repercussão, até pela velocidade de propagação com a internet, dá pra divulgar muitas coisas legais que nem todo mundo conheceria… Beyond Good an Evil é um exemplo nos games, Donnie Darko (gostei muito, muita gente fala dele hoje, meio fenômeno cult) é outro nos filmes…

    E Paulo, li seu comentário todo, sou um pouco mais otimista com relação ao futuro do país, mas concordo que os candidatos tão muito ruins esse ano… Acho que devemos sim nos preocupar mais com a política.
    E dá pra imaginar como ficaria a situação política do mundo no futuro, os games com histórias boas tão aí pra isso, vide Starcraft II e Mass Effect. Por isso gosto do enredo desses jogos, retratam o mundo de hoje numa ficção futurística!

    Games também são manifestações sociais, devem ser apoiados!

    Abraços.

    Comentário de Lucas Vaz em 08/10/2010 as 15:22
  15. Lucas Vaz disse:

    Que isso, todo mundo comentou na mesma hora! =P
    Muito bom o Extra Credits, não conhecia, acabei de ver 2 videos… Valeu pela dica, Heriba!

    Comentário de Lucas Vaz em 08/10/2010 as 15:33
  16. A todo mometo criticamos, somos seres pensantes e isso é inevitável. A questão fundamental com relação à crítica é produzir uma crítica construtiva e não daquelas que só querem ferrar com o produto sem ao menos ter uma base!
    Uma crítica construtiva é o que ajuda a melhorar a qualidade de nossos produtos, portanto, não necessariamente falar bem ou mal, mas contribuir para o crescimento da industria dos games, no caso, e mesmo um crescimento pessoal!!!
    Igual ao cafe com games, sejamos criticos com relaçao ao cast. Nao quer dizer que devamos falar mal ou bem do produto, mas dar um feedback sincero e construtivo… E no momento esse feedback é um parabéns à equipe!

    Fica aqui um abraço.

    Comentário de Juninho Anime e rock clube em 10/10/2010 as 11:36
  17. [...] meu ultimo texto à meses atrás, falei sobre a necessidade de ser crítico, de ter critério sobre aquilo que [...]

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